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Fãs e mídia tem mania de definir se casais famosos se amam ou não

O amor é algo abstrato. E por ser uma abstração, é uma coisa bastante subjetiva. A decisão sobre abstrações seria de responsabilidade exclusiva de quem está envolvido com elas. As pessoas não podem impor suas abstrações a outras nem dar palpites sobre abstrações alheias. Abstrações são algo bastante pessoal.

Mas parece que virou moda fãs e mídia dar pitacos na vida de casais, dizer quem deve se envolver com quem e afirmar, com o precário julgamento aparente, se há ou não amor no relacionamento. Muitos casos há fã obrigando fulano a se unir a sicrana, acreditando naquela falácia da alma gêmea, como se na vida real pudesse haver casais como os que protagonizam as novelas. Mais uma da nossa teimosa e tola mania de novelizar a vida cotidiana.

Quando fizeram uma enquete se a Bruna Marquezine deveria voltar para o folgazão jogador Neymar, definiram o retorno da relação como "vitória do amor" quando é sabido para todos os cantos que a relação era por interesse, de ambos os lados. Neymar precisava de uma "primeira dama" para completar seu estereótipo fake de "herói cívico" e Bruna queria um empurrão para uma possível carreira internacional, se beneficiando da fama mundial do jogador. Como ambos são ricos, dinheiro não era o principal foco e sim o prestígio midiático e social a alavancar as carreiras.

Virou moda também dizer que os fins de relacionamentos fazem as pessoas "não acreditar na força do amor", como foi muito comentado na separação entre Brad Pitt e Angelina Jolie. Que coisa mais infantil! Cada caso é um caso e nem todos os casais se unem por amor ou se separam por falta dele. Assim como há muitos casos de casais que se formam sem amor, há outros que se separam e continuam se amando, fraternalmente.

Não é a formação de casais que comprova a existência ou a ausência de amor, mas o que o casal faz com seu relacionamento (e isso nada tem a ver com beijinhos e sexo). O amor envolve altruísmo e vontade de utilizar o relacionamento para o desenvolvimento do caráter. 

A intimidade do relacionamento conjugal oferece a oportunidade única de aprendizado mútuo e é para isso que deveriam existir os casamentos. Beijos, sexo e troca de favores não são provas de amor e quem acredita nisso, me perdoe, mas não abe nada o que é amor. Ainda estamos muito primitivos, acostumados a acreditar em qualquer coisa que pensamos ser evoluída sem ser de fato.

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